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Como anda sua colheita?

Esse texto é mais um dos aprendizados que tive com a natureza. Pra mim, a natureza é a melhor escola que existe.
 
Fiquei duas semanas sem visitar minha horta. Cheguei e vi os pés de alface passando do ponto.
 
Na hora senti um misto de tristeza com culpa. Não deveria ter ficado tanto tempo sem cuidar da horta. Fiquei pensando que era um desperdício, que não estava honrando o que a natureza me dava.
 
Cuidei da horta por alguns minutos enquanto respirava esses sentimentos. O que acontecia dentro de mim? Por que estava me sentindo mal?
 
Enquanto olhava para dentro, eu seguia com a enxada, limpando os canteiros e removendo ervas daninhas, fazendo o trabalho pesado e “sujo”de uma horta.
 
E foi aí que o entendimento veio. Foi como uma pedra que caiu na minha cabeça.
 
Doeu.
 
Nesse momento eu comecei a lembrar de todos os trabalhos que já tive. De todas as empresas que fundei. De todos os projetos que comecei. E identifiquei um padrão na minha vida.
 
Eu sempre gostei do trabalho pesado. Sempre gostei do começo. De quebrar o mato. De entrar com o facão na mata e abrir caminho. De limpar o terreno. De tentar ver o que ninguém ainda conseguia ver. Por isso eu sempre gostei de empreender e começar novos negócios. Lembrei da conversa com meu amigo Michel Marcondes sobre isso.
 
Eu sempre fui bom em preparar a terra e abrir caminho.
 
Depois fui aprendendo a semear e a plantar.
 
Recentemente aprendi a cuidar.
 
Aprendi a cuidar das relações entre pessoas, a cuidar dos detalhes de um negócio, a cuidar da manutenção do que eu já havia começado. Como fazer o manejo da horta por exemplo.
 
E dessa vez vi que eu nunca soube fazer direito uma coisa: a colheita.
 
Em todos os negócios que montei, eu nunca fui o cara responsável pela colheita. Quando um negócio começava a dar frutos, ou eu saía e ia começar outro, ou deixava a colheita para um sócio.
 
E o resultado disso? Eu saía de esforço para esforço, sempre um seguido do outro.
 
Sempre que a gente começa uma atividade, pensa no resultado, no dinheiro e na colheita. Pra mim, a colheita era algo tão óbvio que eu não olhava para isso. Pode ser paradoxal, e é, mas o fato é que eu nunca aprendi a colher.
 
Eu não dava o devido valor ao “receber”.
 
E quando você não sabe receber direito, você recebe menos. Simples assim.
 
O universo tem uma logística mágica que direciona a energia para quem tá pronto para fazer. No caso, a colheita vai para quem sabe colher.
 
E eu tava deixando os pés de alface passarem.
 
Eu perdi metade da colheita.
 
E então resolvi olhar para isso.
 
Decidi honrar a colheira e todos os frutos que recebo da natureza e do universo.
 
Decidi colher de tudo. E sentir a beleza disso.
 
Como num passe de mágica, me senti rico, abundante e próspero enquanto colhia cada alimento.
 
Nessa foto colhi, alface americana, rúcula, almeirão, couve, salsinha, cebolinha, mandioca, pimenta cambuci, pimentão, caqui, laranja, cana de açúcar, limão cravo e pinhão.
 
Como anda a sua relação com a colheita?
 
Não desperdice nenhuma oportunidade de colher. Aceite e saiba receber o que a vida lhe oferece…
 
Gustavo Tanaka

gustavo-tanakaGustavo Tanaka
Autor do livro 11 Dias de Despertar, empreende em startups que buscam criar uma nova economia e colaborador do Movimento PENSO POSITIVO.
Email: gutanaka@gmail.com

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