1-CM1qTOmo0Qt4nuo3wMacKw

O que acontece quando você agradece?

Por muito tempo, eu rejeitei a vida na cidade. Até que, exatamente três anos atrás, depois de seis meses vivendo numa ecovila maravilhosa, com pés na areia, vizinha de um sem fim de coqueiros, dormindo ao som das ondas do mar, cantando quase todos os dias — muitos em volta da fogueira, dançando de mãos dadas com pessoas com quem compartilhava o propósito de comunidade, eu entrei num vazio profundo que virou uma depressão. Eu me sentia separada de tudo, porque meus principais vínculos com a vida não estavam ali. Minha família e meus amigos, nossas formas de nos relacionarmos, abraçarmos, nos olharmos — que estavam a uma distância continental de mim, se mostraram mais importantes do que eu podia imaginar. E enfim, resolvi me despedir, voltar e assumir a cidade como meu lar. Aceitar e agradecer (quase) todos os dias pela escol(h)a de estar perto de quem eu amo — por mais desafiador que seja conviver tão de perto com tantas pessoas tão intensas, tem me lembrado do meu poder de criar minha realidade. Aqui estou, e quanto mais grata me sinto, mais experimento nas mãos, nas palavras e na ação o poder de transformar o que não me serve mais.
 
A primeira vez em que ouvi falar sobre a importância de agradecer foi há uns dez anos, quando tive (o que a medicina ocidental chama de) artrite reumatóide, e uma amiga da minha tia me encorajou a olhar pra minha dor e meus aprendizados sob outra perspectiva. Ela foi um anjo que veio me ajudar a despertar pro poder de cura que eu tinha nas mãos. Disse que era fácil agradecer pelas coisas boas, mas agradecer pelas dores era um gesto que elevava a alma. E que, a partir dele, a gente ganhava outra compreensão sobre a vida.
 
De fato tudo mudou quando, em uma das crises de dor, em vez de sentir raiva e querer controlar que ela simplesmente desaparecesse, eu comecei a agradecer por ela, pelo que ela estava tentando me dizer, mesmo que eu ainda não entendesse a mensagem. Comecei a amar, beijar, massagear e escutar minhas mãos (onde a inflamação atacava) me dizerem algo tão dolorido que ninguém ao meu redor tinha coragem de me dizer. Eu estava sendo rígida demais comigo e com a vida, e precisava aprender a confiar em outros caminhos. Em suma, na inteligência suprema que regia tudo pra além dos meus falsos desejos e medos.
 
Todo mundo tem aspectos inferiores extremamente difíceis de confrontar. Algumas dessas negatividades parecem tão surreais — apesar de serem perfeitamente humanas — que, ao espelharem ao outro suas próprias negatividades, contribuem pra que ele se afaste. De fato, confrontar a dor que a auto-destrutividade imprime no nosso corpo-alma não é para os fracos (e todo mundo tem suas forças, mas nem todos a conhecem). É preciso muita coragem, humildade e aceitação. O poder de mudar tudo, que vem junto, sempre compensa (a não ser que não se queira mudar de verdade).
 
Pois bem, a partir do dia em que comecei a agradecer, a ignorância da minha dor começou a se converter em sabedoria, a intolerância em aceitação, a raiva em força de vontade pra me curar. Aquela escuridão deixou de servir, e passei a descobrir novas formas de estar a serviço da vida. E assim foi, até que comecei a usar minhas mãos pra apoiar o despertar da energia de cura do outro, e todo aquele processo de auto-descoberta e resgate da saúde — que na visão do médico duraria até a morte, mas durou três anos, fez e continua fazendo sentido. Antes tarde do que nunca, um dia tudo se encaixa, sincronicamente.
 
Sincronicidade é a magia da abundância. A magia dos encontros, dos desencontros, dos sinais. É a linguagem que o Universo usa para nos contar que tudo é um oráculo, tudo contém uma mensagem que nos guia à luz da felicidade, e que não existe segredo quando o escutamos de verdade.
 
Abundância é um estado de espírito, um estado de consciência, um estado de graça! Literalmente DE GRAÇA, que não custa nada e vem da gratidão. A gratidão é o que nos faz perceber que basta Ser e estar presente para ter o mundo à disposição.
 
 
Faz o teste: por 1 minuto sem parar, agradece por tudo o que está presente na sua vida agora. Vale do celular na mão ao céu de estrelas. Do coração batendo até os seus sonhos e realizações.
 
Depois observa qual sensação fica mais viva em você: a de abundância ou a de escassez?
 
Se gostar do efeito, te desafio e encorajo a fazer por mais tempo, ao acordar e antes de dormir, por alguns minutos a mais ou até sentir que todas as suas células estão sorrindo. É sério. Fazer isto por 21 dias pode desprogramar um monte das ilusões de escassez que carregamos em nós e nos nossos relacionamentos. Em casos extremos como o que contei no começo, ou em situações cotidianas — como durante a ansiedade provocada pela correria que diz que “não vai dar tempo” — , a gratidão cria as condições internas pra manifestarmos a melhor realidade possível, de dentro pra fora. Toda vez que experimento agradecer, meu olhar sobre a vida fica mais otimista, integro em mim tudo o que está disponível, e com isso me sinto mais forte e plena.
 
Vai, respira fundo a abundância de ar ao seu redor e responde: pelo que você se sente gratx hoje?
 
Afinal, de acordo com a lei da sincronicidade (o Universo não dá ponto sem nó, somos todos parte de uma grande constelação), existe algum bom motivo pra você estar lendo este texto hoje.
 
Vanessa Moutinho
 
Fonte: Medium.com

Este post foi lido 11140 vezes!

0 respostas

Deixe um comentário

Quer contribuir com seus comentários?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>