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O que o meu corpo está dizendo?

Com o desenvolvimento na ciência e na medicina a civilização ocidental foi influenciada pela visão dualista da humanidade/natureza e corpo/mente como sendo entes separados uns dos outros. E tudo relacionado ao espírito, assim como a elevação da consciência, foi considerado superstição (Halprin, 2003).
 
Partindo desse pressuposto, não apenas a humanidade se dividiu enquanto coletividade como também se fragmentou em nível individual.
 
No seu livro “Heaven on Earth”, de 2010, Joseph Aurelio Mendoza abordou o impacto que a separação entre mente, corpo e alma tem em nossas vidas. Ele usou a ideia de uma escala para representar o peso/foco que a era materialista empresta a esses três componentes. Mendoza acredita que todos devam ter a mesma medida para que haja equilíbrio. Mas na era atual a escala se tornou tão fortemente desequilibrada para o lado do corpo que “há pouca concentração para a mente ou a alma” (Mendoza, 2010, p. 33).
 
A consequência desse foco colocado sobre o corpo é que ele tem sofrido um grande abuso à medida em que rompemos esse equilíbrio (Mendoza, 2010, p. 33).
 
Isso se torna evidente quando vemos quantas pessoas tentam controlar pensamentos negativos e estados emocionais usando seus corpos de diferentes formas, como por exemplo comendo compulsivamente, comendo comida processada, regimes extenuantes de exercício, estilo de vida sedentário, permanecer ao celular por muito tempo, ocupar-se ao ponto da exaustão, cirurgias cosméticas, promiscuidade sexual, abuso de substâncias legais ou ilegais; a lista é infinita.
 
Assim como em qualquer relacionamento, pressão, falhas na comunicação e não ouvir atentamente ao outro apenas criam estresse e distanciamento, levando a uma intensificação dos problemas. Por que seria diferentes se estamos desconectados da nossa mente, corpo e alma? “Quando dois (corpo e mente) não cooperam, existe infelicidade em ambos, e isso leva a fragmentação e adoecimento” (Iyengar, 2005 p. 28).
 
Como você cria uma relação de harmonia e equilíbrio entre mente, corpo e alma? Reconhecendo quem e o que nós realmente somos.
 
Tal como discutimos antes, a separação da mente, corpo e alma nos dividiu não apenas como indivíduos mas como coletividade. Por conta da ênfase demasiada no corpo, nossas mentes e espíritos precisam ser despertos. O corpo, por exemplo (ao contrário da alma) é material. Não é feito para durar para sempre e isso é um constante lembrete que o envelhecimento e morte são inevitáveis para a humanidade, que opera numa frequência de medo ao invés de amor.
 
Esse medo faz com que nós vivamos num sistema que privilegia a sobrevivência do mais adaptável sobre a sobrevivência de todos. E com isso nos levou a esquecer que nós, seres humanos, somos parte de algo muito maior do que aquilo a que nossa sociedade nos reduziu, como por exemplo nosso emprego, qualificações, posses, aparência, compleição física.
 
Somos natureza. Nossos corpos e almas são parte do cosmos, e são governados pelas mesmas leis do universo do que qualquer outro organismo vivo, incluindo a Terra. Um exemplo simples disso é que os 5 elementos da natureza – água, ar, fogo, terra e éter – são encontrados no corpo humano. Água: sangue, sêmen, urina, órgãos, músculos e ossos; ar: respiração, movimento; fogo: digestão, metabolismo, energia, calor; terra: ossos, dentes, cabelos, unhas; e éter: som, vibração, espaço no corpo, por exemplo células.
 
Nosso corpo é feito mais ou menos da mesma proporção de água que a Terra. Como os rios e seus tributários, temos os vasos sanguíneos no corpo, mais de 100.000. Da mesma forma a crosta da Terra contém a maioria dos nutrientes minerais que nosso corpo precisa, tais como oxigênio, ferro, cálcio, magnésio, sódio e potássio. A composição química de uma rocha como o granito é similar à composição do corpo humano.
 
Assim a Terra é como nosso corpo humano: “O ar é como sua respiração. As árvores são como seus pulmões. Os riachos e rios são como o sangue circulando no corpo. E assim como você se move, a Terra se move no espaço” (Chopra, 2007). E o éter dentro do corpo humano pode ser considerado espaço interior, consciência. Com os olhos fechados podemos ver e admirar o céu interior, e às vezes na profunda concentração do silêncio meditativo, luzes e estrelas ofuscantes são visíveis na vastidão interior” (Prajnanananda, 2005 p. 7).
 
Em outras palavras, tudo o que existe no universo (macrocosmo) existe dentro de nós (microcosmo) e vice-versa.
 
Nosso mundo externo é o reflexo das nossas lutas internas. Nossa eterna tentativa de ser melhor que os outros e ter mais que os outros levou o homem à crença de que ele pode controlar a natureza da mesma forma que controla seu corpo físico, destruindo para melhorar, quando muitas das nossas mais importantes necessidades são desprezadas.
 
“Nós descartamos a liberdade com a qual fomos presenteadas, nós a evitamos dela. Começamos a construir pequenas e grandes gaiolas de aço e concreto que nos mantêm confinados até a morte. Nós descartamos espaços abertos. Nos escondemos nas nossas tocas como presas ameaçadas, emergindo apenas para lutar pelos mantimentos em tocas similares ou para comprar coisas. Construímos grandes shoppings onde passamos nosso tempo livre. Como é possível comparar o brilho e o glamour do mundo artificial com a majestade da criação divina?” (Prajananananda, 2005 p. 2).
 
Assim como a divisão entre mente, corpo e alma, a divisão entre homem e natureza levou a sérias consequências. No seu livro “A Última Criança na Natureza” Richard Louv (2005) detalha o distanciamento entre as crianças e o mundo natural através do encorajamento a passar a maior parte do tempo em ambientes fechados. Richard focou principalmente nas crianças que haviam nascidos nas duas décadas anteriores, que estavam passando cada vez menos tempo ao ar livre, tendo um estilo de vida mais sedentário do que seus pais e avós devido ao crescimento do uso de tecnologia e ao medo dos “perigos do mundo”.
 
Ele descreveu as crianças como sofrendo de “desordem do deficit de natureza”, que é o custo humano da alienação da natureza, cujas implicações incluem: diminuição do uso dos sentidos, dificuldade de atenção e altos índices de doenças físicas e emocionais (Louv, 2005 p. 34).
 
Essa constatação foi corroborada pelo Relatório da Infância Natural, de 2012, que cita inúmeras pesquisas sobre as consequências para a saúde causadas pela diminuição do tempo que as crianças inglesas passam ao ar livre. Os dados incluem: aproximadamente um quarto das crianças entre dois e dez anos, e um terço das de onze a quinze anos, estão com sobrepeso ou obesas (HSCIC, 2015); aumento do índice de raquitismo infantil devido à deficiência de vitamina D (Davies et al. 2001), miopia (BBC, 2011) e asma (BBC, 2009); redução da capacidade das crianças de fazerem exercícios físicos, como abdominais (Guardian. 2011); declínio de aproximadamente 10% da capacidade cardiorespiratória (Guardian, 2009); índice de 10% das crianças entre cinco e dezesseis anos com problemas mentais clinicamente comprovados.
 
A expansão da paisagem urbana (metrópoles e cidades) impactou negativamente a Terra e seus ecossistemas causando fragmentação, isolamento, degradação dos habitats naturais (Alberti, 2005), poluição atmosférica, poluição sonora etc. Em 1973 foi conduzido um estudo para avaliar o impacto da poluição do ar nas plantas. Os resultados mostraram que as plantas crescendo em estufas recebendo ar não filtrado foram severamente danificadas (Heagle, Bodu and Heck, 1973).
 
A urbanização está tendo os mesmos efeitos na nossa saúde e bem-estar. Pesquisa de Kelly e Fussell (2015) revelou que boa parte da população das áreas urbanas respira um ar abaixo do padrão de qualidade tanto da European Standards quanto da Organização Mundial de Saúde. E nos últimos 10 anos muitas novas pesquisas associaram a presença de partículas de poluição no ar à incidência de doenças relacionadas ao sistema cardiovascular, pulmões e mais recentemente problemas neurológicos.
 
Um estudo de Calderón-Garcidueñas et al. (2002) comparou os cérebros de cães que viviam em áreas fortemente expostas à poluição atmosférica com os de cães de áreas menos poluídas. Eles encontraram neuropatologias tais como desordens neurodegenerativas, observadas nos cães das áreas mais expostas.
 
Isso os levou a ir além, pesquisando os efeitos do ar de áreas fortemente poluídas no cérebro das crianças. O estudo mostrou que crianças saudáveis, sem fatores de risco conhecidos para desordens neurológicas ou cognitivas, residentes em ambientes urbanos poluídos, exibiram significativo deficit cognitivo e retardos (Calderón-Garcidueñas et al., 2008).
 
Tudo isso nos mostra que a natureza, incluindo nossos corpos, se recusa “a perpetuar condições forçadas ou artificiais em qualquer forma de vida. A natureza, no fim das contas, sabe melhor do que nós o que fazer com ela mesma. O homem não consegue realmente melhorar a natureza. Deixemo-na em paz, com seus próprios impulsos, no seu próprio caminho, e ela fará tudo da forma certa. Quando interferimos nela, nós atrapalhamos”.
 
Isso é algo que precisamos respeitar para que nos curemos enquanto indivíduos e enquanto coletividade. Felizmente muitas pessoas estão se conscientizando dos efeitos positivos da natureza, e há contundente evidência de que os seres humanos têm uma necessidade intrínseca das propriedades curativas da natureza.
 
Estudos têm mostrado que estar envolvido com a natureza tem inúmeros benefícios, tais como o melhoramento da saúde física, performance cognitiva e bem-estar psicológico, assim como na conexão social e desenvolvimento espiritual.
 
Pesquisas com crianças que interagiam com a natureza mostraram que, quando em areas verdes, elas se engajavam mais em brincadeiras criativas, e as brincadeiras eram mais participativas (Bell e Dyment, 2006). Outros estudos mostraram que brincar na natureza é importante para o desenvolvimento da criatividade, da capacidade de resolver problemas e o desenvolvimento intelectual (Kellert, 2005). E no tocante à saúde física, passar tempo ao ar livre foi relacionado a taxas reduzidas de miopia em crianças e adolescentes (Wu P-C, 2013).
 
Não apenas ter plantas dentro de casa, ter contato com áreas verdes, até mesmo a visão de áreas naturais, ou escutar os sons da natureza podem ter um impacto positivo nas nossas vidas.
 
Um estudo de Ulrich (1984) demonstrou que pacientes em pós cirurgia de colecistectomia cujas janelas estavam voltadas para um parque se recuperavam mais rápido comparados com os pacientes cujas janelas estavam voltadas para uma parede. Outro estudo que observou os efeitos do acesso ou a simples visão de áreas arborizadas por parte de jovens msotrou que isso pode trazer ou amplificar a paz, o autocontrole e a autodisciplina (Faber-Taylor, Kuo e Sullivan, 2001).
 
Outros estudos científicos documentaram os inúmeros benefícios de se manter plantas dentro de casa, tais como qualidade do ar melhorada (Wood et al., 2002), diminuição do estresse (Dijkstra et al., 2008), diminuição da fadiga mental (Tennessen e Cimprich, 1995) e aumento da produtividade (Lohr et al., 1996).
 
Alvarsson, Wiens e Nilson (2010) queriam testar se estímulos auditivos (ouvir sons agradáveis da natureza contra ouvir sons de ambientes urbanos) tinham resultados similares em ajudar na recuperação depois de estresse psicológico tanto quanto os estímulos visuais. Os resultados sugeriram que depois de estresse psicológico, a recuperação é mais rápida durante a exposição a sons naturais agradáveis, tais como o canto de pássaros e o som de uma fonte, do que aos barulhos menos agradáveis do tráfego urbano numa rua movimentada por exemplo.
 
Para que se possa por fim à separação dentro de nós mesmos precisamos eliminar o que nos separa da natureza. “Quando exploramos a alma, é importante lembrar que essa exploração acontecerá na natureza (corpo), porque ela é onde estamos e o que somos” (Iyengar, 2005 p. 5).
 
Precisamos lembrar que toda vida está conectada. Como pode ser que nossa relação com nosso corpo seja diferente da nossa relação com a Terra? Se escutarmos o que nosso corpo está tentando nos dizer, assim como se aprendermos a ver como nosso estilo de vida está impactando a Mãe Terra, poderemos usar essa informação para nos ajudar e descobrir sobre nós mesmos, e fazendo isso tornamos o mundo melhor para todos. “A união da natureza e alma remove o véu da ignorância que cobre nossa inteligência” (Iyengar, 2005 p. 9-10).
 
Por Sarah Smyth
 
Fonte: http://in5d.com – Edição e tradução exclusiva dos Trabalhadores da Luz: Laudi Fagundes e Antônio Filho.

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1 responder
  1. Marta N. Teixeira
    Marta N. Teixeira says:

    “Criar harmonia e equilíbrio entre mente, corpo e alma? Reconhecendo quem e o que nós realmente somos.”

    Frase de grande impacto!

    Responder

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