foco

Para onde está olhando?

“Por que você permanece na prisão quando a porta está completamente aberta?”
- Rumi
 
O mundo é igual para todos, o que muda é a maneira como cada um o enxerga. A riqueza do mundo é tão grande que, por não conseguirmos perceber tudo, selecionamos as informações que consideramos importantes, como num mapa. O mapa não é o território, é apenas uma representação do território. E é importante perceber que são os hábitos mentais de alguém, bem como a constância de determinados pensamentos que acabam por influenciar as emoções do indivíduo e a freqüência destas passam a moldar sua vida, sua estima, o astral do sujeito como um todo. Ou seja, criam seu “mapa” de mundo.
 
Deste modo, podemos colocar que o mundo é visto por cada um através de sua lente individual (ou mapa), esta que por sua vez é composta pelas crenças construídas pelos pensamentos e hábitos mentais do sujeito que compõem e fortalecem essa lente. Ou seja, a presença constante de determinados pensamentos, com o tempo e intensidade ganham força o suficiente para transformarem-se em crenças interiores compondo a maneira como o sujeito vê o mundo constituindo assim o próprio mundo do Ser.
 
Partindo disto podemos concluir que quando alguém diz: “O Mundo é …” ou “A Vida é …” e assim por diante, ele está se referindo ao mundo dele, está se referindo à vida dele. A grande maioria das pessoas não sabe que enxergam a Existência através de suas lentes pessoais, logo fazem este tipo de afirmação acreditando que estão definindo a vida, mas na verdade estão apenas revelando a sua própria visão de vida.
 
Faço este texto visto que há uma significativa quantidade de afirmações sobre “o mundo estar perdido” e alegações similares. Acredito ser importante lembrar que cada um enxerga o mundo a sua própria maneira. E afirmações pessimistas desta natureza são o resultado da atenção constante apenas nos problemas do mundo.
 
Para melhor esclarecer o raciocínio, um exemplo: Determinada pessoa relata que peixe é o pior alimento que existe, tem gosto horrível, é impossível de digerir e faz mal à saúde. Ao ouvir isso é possível que fiquemos confusos, pois peixe além de ser um alimento delicioso faz bem à saúde. Logo, para entender o motivo de suas declarações, convidamos esta pessoa para preparar um prato com peixe. O indivíduo reafirma que peixe é um péssimo alimento e mostra o porquê, no seu preparo ele corta a cabeça do peixe, o rabo do peixe, retira as escamas, retira as espinhas, junta toda a carne rosada extraída do peixe e a despeja direto no lixo, após isso coloca na panela a cabeça, o rabo, as escamas e as espinhas, parar cozinhar e servir no almoço.
 
O exemplo pode parecer um exagero, mas é uma metáfora que relata bem como o foco de atenção de uma pessoa compõe seus pensamentos e estes por sua vez constituem sua percepção de mundo (no exemplo acima percepção de um alimento).
 
Agora um exemplo real do cotidiano. O mundo é gigante, infinitas coisas acontecem o tempo todo: chove, o sol aparece, alguém se abraça na esquina, pessoas conversam, algum bilionário doa milhões para caridade, um idoso resolve entrar na faculdade, atletas treinam para as Olimpíadas, e etc. Enfim, infinitas coisas acontecem o tempo todo, afinal a Terra além de imensa é casa de 6 bilhões de seres humanos. E o exemplo que quero colocar é sobre o Jornalismo sensacionalista. O Jornal muitas vezes é como uma empresa que observa tudo o que aconteceu de dolorido e sofrido no mundo, reúne, publica nas suas páginas/matérias e as apresenta ao seu interlocutor. Ora, como dito, o mundo tem 6 bilhões de pessoas, problemas não são novidade, sempre houve dor e sofrimento no nosso planeta, não estamos num Éden, estamos na Terra e se estamos aqui, é porque devemos estar aqui, é porque há uma razão desse momento aqui. O ponto é que de tudo o que ocorre no mundo, há institutos dedicados a reunir aquilo que foi angustiante nos últimos dias e mostrar às pessoas, que podem a partir disso acreditar que aquilo que está sendo apresentado é um panorama geral do Planeta, quando na verdade é informação especificamente escolhida. “Se alguém recebe 100% do tempo, informações a respeito de 1% de determinado fato, pode acreditar que tem conhecimento de 100% das informações do fato”.
 
O motivo de os meios de comunicação insistirem tanto em notícias pesadas é simples: Se somente fossem divulgadas notícias boas sobre coisas para se fazer e aproveitar a vida, ninguém ficaria perdendo tempo em frente à TV. Logo a imposição do medo e da desesperança é eficiente, uma vez que o telespectador tranca sua porta e fica na segurança ilusória de seu sofá somando pontos à audiência.
 
Coloco o sensacionalismo como exemplo, no entanto, informações de sofrimento podem vir de qualquer lugar. Importante observar, que o objetivo não é tornar-se frio ou cego para as dores no mundo, é indispensável que se tome atitudes para ampliar o bem-estar no mundo. Apenas que o sofrimento como fim, como uma ruminação, que fica ali na mente consumindo energia e não incide em qualquer tipo de ação, é apenas: mal-estar gratuito.
 
“Uma vez, um homem se aproximou de Buda e perguntou: “O mundo está tão cheio de desespero, as pessoas estão vivendo na miséria… Como você pode permanecer sentado em paz, silêncio e alegria?”
Buda respondeu: “Se uma pessoa está sofrendo, com febre, o médico deve deitar ao seu lado e sofrer também? O médico, por compaixão, precisa se deixar infectar, se deitar ao lado do paciente e ter febre? Isso irá ajudar o paciente? Antes, havia apenas uma pessoa doente, mas agora haverá duas — o mundo estará duplamente doente. O médico não precisa estar doente para ajudar o paciente, ele precisa estar saudável. Quanto mais saudável ele estiver, mais ele poderá ajudar”.
 
Osho – Aprendendo a Silenciar a Mente
 
A cabeça, o rabo, as escamas e espinhas do peixe têm suas razões de existir, mas não são as partes do peixe apropriadas para serem consumidas, a parte saborosa é a carne. Da mesma forma, focar a atenção nas dores do mundo não é a melhor maneira de criar um bem-estar mental, e ainda, consolidar crenças de que “O mundo está perdido” ou “O mundo é uma droga” em razão do foco mal-direcionado, dos pensamentos de baixa vibração, é com certeza o passaporte para algum tipo de depressão ou esgotamento mental.
 
E além da mensagem de que devemos ter pensamentos positivos e ver a quantidade imensa de coisas boas que existem, procuro passar aqui a mensagem de que, o que as pessoas afirmam com absoluta certeza, nada mais são do que a manifestação de suas crenças interiores, e que devemos ter compaixão com aqueles que ainda estão presos na ilusão de que enxergam o mundo sem lentes, quando na verdade há uma lente espessa que os separa da realidade.
 
Esta é apenas uma ideia.
 
Cada Ser Humano é um Universo, e sempre há mais possibilidades!
 
Estamos todos no caminho certo!
 
Leonardo Bonifácio

Leonardo Bonifácio

Estudioso de espiritualidade formado em hipnose clínica.

 

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