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Você está logo ali, na observação

Observe sua mente. Se você se aquietar por um momento e simplesmente abandonar todas as resistências, simplesmente entregar-se, abandonando qualquer tentativa, abandonando o ato de pensar, você verá que, instantaneamente, tu te tornas consciente de tudo o que se passa na tua mente. Quando tu te aquietas e fica ali, sem fazer nada, todos os teus sentidos se tornam extremamente intensos; os teus pensamentos se tornam extremamente perceptíveis e começa-se o processo de observação.
 
Uma vez que você comece a observar a mente, você começa a perceber aquilo que você não é. Uma vez que o pensamento “Eu me chamo fulano” seja observado, você percebe que era apenas um pensamento e, portanto, não quem você é de verdade; quando o pensamento “Eu sou essa mente” é observado, você compreende que era apenas um pensamento transitório, uma crença e, portanto, você não é isso também.
 
Quando você começa a observar a mente, a tornar-te consciente da mente, ela começa a perder força. Nas primeiras vezes, sua mente pode estremecer, ela pode querer brigar contigo. Esse é um processo natural de desidentificação com a mente. O falso personagem criado e sustentado pela mente começa a cair, começa a desaparecer.
 
Assim como quando tu observas a árvore e, logicamente, entende que tu não é a árvore – mas sim o observador dela – você também entende que, ao olhar para a mente, você não é ela. Você é algo que está além dos conceitos e definições mentais. Você pode chamar a isso de Consciência ou de Espírito, de Ser ou de Eu, mas veja: Todos esses nomes ainda são definições mentais e, inclusive, também são observados, também são percebidos e tudo o que pode ser percebido é irreal.
 
Tudo, absolutamente TUDO que pode ser percebido, que pode ser observado, é irreal. É mente.
 
Quando tu mergulha fundo na observação, rendendo o ato de pensar e entregando-se somente a estar consciente, sem buscas, sem desejos, sem metas, sem motivos, a mente começa a abrir brechas onde há um espaço desconhecido, um espaço que nunca foi percebido antes; há uma quietude ali. Essa quietude é a natureza do teu Ser, uma consequência da percepção.
 
A raiz de qualquer sofrimento humano é estar identificado com a mente. Uma vez que você conhece a Verdade de quem você é – algo/alguém que está além da mente- você também compreende que a mente é apenas um instrumento de pensar, não sendo, então, quem você é. Quando você entra em um carro para dirigi-lo, você compreende que você não é o carro. Assim também é com o corpo e a mente. Quando você descobre que você é Isso, você sabe que a mente é apenas um veículo e o corpo também.
 
Faça isso agora. Feche os olhos e simplesmente esteja ali, sem fazer nada. Não tente nem mesmo olhar para a mente, não tente descobrir nada. Isso não é uma prática, isso é meditação – e meditação é não fazer. Simplesmente esteja ali sem fazer nada e observe que, ao se aquietar sem metas e sem desejos, ao ficar nesse estado de não-fazimento, todos os pensamentos se tornam conscientes; o riacho do pensar se torna consciente. Uma vez que você se torne consciente dos teus pensamentos, perceba que você não pode ser eles – você é o espaço onde eles acontecem.
 
Qualquer um pode fazer isso, você não precisa de uma religião para fazer isso; você não precisa ser espiritualizado para fazer isso; você não precisa de nada para fazer isso porque você é isso, você é essa percepção.
 
Redescubra.
 
Cristian Dambrós

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