Acelerando a Transfiguração do Mundo

Por que um punhado de cidadãos atentos tem (Muito)
mais influência que as grandes multidões de distraídos?
Uma única gota de água é suficiente para fazer um copo cheio transbordar.
O texto “As Revoluções de Percepção”, aborda a ideia dos momentos de ruptura ou de iluminação súbita – os pontos críticos em que o conhecimento acumulado se funde num impulso criativo da vida e se expande para além dos horizontes limitados, elevando a consciência a um novo patamar.
O texto começa por comentar o trabalho de comparação entre o acúmulo linear de conhecimento e o avanço súbito ou “revolucionário”, feito pelo físico e filósofo Thomas Kuhn.
Poderíamos dizer que as ideias que sustentam o equilíbrio de certas estruturas de conhecimento, sociais ou outras, são ultrapassadas num determinado momento por novas formulações e percepções que conduzem a um estado mais aperfeiçoado de equilíbrio e dinamismo.
Podemos ler no artigo:
“A ideia de que há momentos em que as ‘revoluções perceptivas’ são inevitáveis não só constitui algo útil em geral, mas talvez seja indispensável para que possamos compreender o atual momento humano. A expressão ‘revolução científica’ tem também uma correspondência com o conceito zen-budista de ‘iluminação súbita’, e com a idéia de ‘ponto ômega’, utilizada por Teilhard de Chardin. Talvez a humanidade esteja atravessando um destes momentos. A mudança que estamos vivendo – individual e coletivamente – é tão vasta, abrangente e rápida, que não somos capazes de perceber com clareza todas as suas dimensões. A visão do movimento das folhas das árvores tem sido tão fascinante que poucos indivíduos vêem a radical mudança do bosque inteiro a seu redor.”
O cidadão comum sente-se atordoado pela complexidade da mudança planetária, pelo movimento caleidoscópico dos sucessivos eventos nas diferentes áreas da ação humana, pelo conjunto gigantesco de desafios que parecem impedir o avanço da humanidade. Ainda assim, cada vez mais indivíduos vão tendo uma percepção progressivamente mais clara do momento crítico da civilização.
O texto afirma:
“Apesar da precariedade da percepção humanamente possível, muitos compreendem que nossa sociedade se aproxima de um momento de ‘ruptura cognitiva’; ou talvez já tenha ingressado nele. O velho modo estabelecido de ver as coisas se desfaz. Nossa antiga noção de tempo e de espaço se desmancha. Milhares de pequenos fatores alteram a substância das lentes com que olhamos aquilo que, para nós, é a ‘realidade’.”
São nos momentos críticos de mudança que um conjunto de indivíduos esclarecidos e atentos têm mais influência do que uma multidão de distraídos.
Neste ponto é interessante referir um estudo efetuado nos Estados Unidos por investigadores do Instituto Rensselaer.
Os cientistas descobriram que quando 10 por cento de uma população está firmemente comprometida com uma ideia, essa mesma ideia acaba sendo adotada pela maioria dessa sociedade. Os investigadores analisaram vários tipos de eventos em que situações estabelecidas durante décadas são alteradas em semanas apenas porque um número crítico de indivíduos adotou uma ideia ou postura inovadora. 
O estudo foi publicado numa revista científica de referência, com o título “Consenso Social Através da Influência de Minorias Comprometidas”.
As conclusões deste estudo vêm confirmar o ensino universal das grandes tradições filosóficas do mundo que ensinam que pequenos gestos e a ação correta de um ou mais indivíduos têm um enorme poder transformador sobre a vida de outros indivíduos e de uma sociedade inteira.
De certo modo, estamos perante o princípio da alavanca de Arquimedes, aplicado ao mundo das ideias e da ética como fatores fundamentais no progresso humano.
Reproduzido do artigo “ACELERANDO A TRANSFIGURAÇÃO DO MUNDO”, de Joaquim Soares, publicado no boletim O Teosofista, Março de 2013

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