Post 7-D

As coisas feitas contra os outros moram dentro de você

Diferente do comumente difundido, as consequências dos atos praticados ao próximo não retornam pra o Ser, elas vivem dentro do Ser, pois foram geradas no seu interior.

Para entender melhor, imaginem uma fábrica de tintas, que exporta tintas para o mundo todo. Pela grande demanda de pedidos há um volumoso trabalho na produção, e uma interminável entrega de mercadorias. Se tinta é o carro chefe desta fábrica não seria um absurdo pensar que ao entrar nesta fábrica, o que mais se encontraria dentro dela seriam: Tintas! Ora, não haveria sentido em encontrar filhotes numa fábrica de tintas, pois é uma fábrica de tintas e não um Pet shop.

Ou seja, conforme a demanda de pedidos, mais do produto será fabricado, e mais dele haverá dentro da fábrica, de modo que a fábrica terá cheiro de tinta, manchas do produto, e infinitos sinais de que ali se produz tinta. É uma conclusão lógica.

Pensando de maneira análoga, é possível concluir que dessa mesma forma funcionam nossas emoções, sentimentos e tudo que externalizamos ou que buscamos externalizar através de nossos atos.

É simples como o primeiro parágrafo, tudo o que eu projeto para fora de mim, preciso antes, pensar, planejar e criar dentro de mim para depois colocar pra fora, de modo que não há nada que manifestamos que não tenha deixado sua marca dentro de nós. Por isso é universal o conceito de que a vingança nunca é plena, pois, a vingança é entregar ao outro um sentimento de dor profunda, que foi gerada e alimentada dentro do agente vingador, ficando este, inevitavelmente, impregnado dela. Simples, se pretendo me vingar, não vou mandar flores ao meu alvo, pois sei que isso seria bom, não vou elogiá-lo, pois também sei que isso seria bom, preciso causar dor, mas não só dor, dor profunda, dor profunda associada com humilhação e tudo o que minha mente puder elaborar. Logo, é simples como a fábrica de tintas, quanto maior a demanda pelo ato de dor, mais disso será produzido dentro de mim.

Ora, para escolher a vingança perfeita, eu tenho de experimentá-la, me imaginar no lugar da vítima, no momento da vingança e ver em qual situação ela sentiria mais dor, minha mente trabalharia com esse objetivo, buscando uma situação ideal, como um alquimista que experimenta pequenas doses do veneno pra saber qual é o pior. Sendo assim, durante o processo de construção do sentimento de dor, minha alma será alimentada com tudo que produzi, pois terá vivido tudo aquilo.

Isso ocorre dado que nosso cérebro não faz distinção entre a realidade e a imaginação, ou seja, imaginar-se num momento de grande alegria, causará todas as sensações que um momento real de alegria causaria. (Para aqueles cujo conceito é novidade, proponho cerrar os punhos, franzir a sobrancelha, apertar os dentes, pressionar os lábios uns contra os outros e olhar num ponto fixo por 15 segundos, depois observar como se sente).

Ou seja, para que algo seja projetado pra fora de si, deve primeiro ser criado dentro de si, e inevitavelmente isso contribuirá para a consolidação da personalidade, dos hábitos mentais, hábitos emocionais e etc. Por isso que para muitos indivíduos, as pessoas são quase que transparentes, visto que é possível entender os conflitos, diálogos e tudo que há dentro do outro apenas observando o que este outro coloca pra fora. Ora, Sigmund Freud percebeu isso e expressou: “O homem é escravo do que fala e dono do que cala. Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo.”

Não há grandes obstáculos para observar isso. Conhece alguém que dispara humilhações e tristezas diariamente e ao mesmo tempo transparece um coração leve cheio de alegria interior e felicidade em viver? Lembre-se de não confundir felicidade interior com prazer, prazer não é sinônimo de felicidade, posso usar um entorpecente como Crack, e isso me proporcionaria um avalanche de prazer, mas isso não quer dizer que me proporcionaria felicidade.

Este conceito também é a Regra de Ouro em Mateus 7, 12: “Portanto, tudo o que quereis que os outros vos façam, fazei o mesmo também vós a eles: nisto está a Lei e os Profetas.” O motivo do texto bíblico é simples, o que quer que o outro faça pra você, faça ao outro, pois quando faz ao outro, inevitavelmente, também faz a você. Nisto está A Lei, a Lei universal da Unidade, tudo é Um, não há nada que se faça que não se contenha, pois nada está separado, o Universo é Um só e todos somos Um só.

A partir desse conhecimento, acredito podemos então nos tranquilizar, pois ninguém será julgado. Quem julga é o homem, quem cria os Juizados e Tribunais é o homem, quem coloca o posto de Pretor, Juiz, Desembargador, Ministro é o Homem, quem se opõe e cria pólos é o Homem, que procura soluções no seu intelecto ainda precário de plenitude. Não será Deus ou o Universo que dará, em algum momento oportuno, a dor necessária, ou o abono, correspondente aos atos praticados na vida terrena; já está tudo dentro de você, é o próprio Ser que carrega dentro de si tudo o que gerou, e cada um terá de trabalhar para resolver seus conflitos internos. A questão é: como fazer isso?

Muitas vezes pode ser difícil mudar o próprio interior e os hábitos há tanto tempo enraizados, mas ué, se não há sabão que arranque o cheiro de tinta da fábrica, que tal parar de fabricá-las, e passar a fabricar flores, ou perfumes? Se não há separação ente o conteúdo interior e os atos exteriorizados, por que não mudar o nosso interior a partir da exteriorização dos atos? Se a tristeza é muito profunda dentro de si, talvez causar alegria fora de si seja o caminho. É claro que este é apenas um dos caminhos, e existem infinitos, porque cada ser humano é um Universo e não há fim para as possibilidades.

Da mesma forma também não precisamos perder nosso chão quando alguém dispara algum ato de ruindade ou dor pra nós ou outro, não é necessário desejar que o mal feito pelo outro volte a ele, ou que seja “debitado” de alguma forma. A negatividade projetada vive dentro daquele que a projeta, apenas que, quem a recebe tem a opção de não se afetar e manter-se em equilíbrio ou aceitar a provocação e entrar na mesma vibração de dor, sofrimento, raiva, humilhação… daquele que externalizou o ato.

Assim também já é possível começar a trabalhar uma tranquilidade interior que se baseia em não se abalar com negatividades externas, já não é preciso pensar em “dar o troco” ou que algo terá que dar esse troco. Quando alguém externaliza algo negativo, deve-se sentir compaixão, pelas dores que a pessoa carrega em seu coração.

Boas Vibrações!

Todos estamos no caminho certo!

Leonardo Bonifácio Camargo

 

Leonardo Bonifácio

Estudioso de espiritualidade formado em hipnose clínica.

 

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