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Hábitos: O piloto automático

O ser humano cria hábitos ao longo da vida que facilitam seu cotidiano. Durante o banho lava as partes do corpo sempre na mesma ordem. Enquanto isso pode pensar no que vai comer no jantar. Ao conduzir um automóvel não precisa pensar no que suas mãos e pés executam. Pode falar, ouvir música e cantar ao mesmo tempo em que se dirige ao seu destino.

Esses automatismos naturais podem ser úteis para aliviar o cérebro, facilitar algumas tarefas e ganhar tempo, mas podem se tornar um problema quando queremos abandonar comportamentos indesejados e destrutivos como comer doces em excesso, fumar, usar drogas ou até mesmo reclamar da vida. Tente não julgar nada ou ninguém durante 24 horas e sentirá a força de um dos mais arraigados hábitos que a humanidade adquiriu.

Noutras vezes queremos adquirir um hábito saudável como praticar exercícios, meditar ou ser mais compassivos, mas desistimos nas primeiras tentativas fracassadas. Será que somos vítimas de nossos comportamentos condicionados? Estamos condenados a sempre gastar mais do que ganhamos, a nos envolver em relacionamentos dolorosos, a criticar o comportamento alheio?

Quando entendemos como os hábitos são criados e eliminados, tudo fica mais fácil.

A neurociência comprova o que já sabemos de longa data: hábitos são fáceis de se criar e difíceis (mas não impossíveis) de se romper. Sempre que repetimos um comportamento, ele se fixa em circuitos especiais no cérebro, particularmente no corpo estriado. Quanto mais o repetimos, mais automático fica. No entanto, outra parte do cérebro, o neocórtex, monitora o hábito. O neocórtex é a parte mais recente e desenvolvida do cérebro, responsável pelo planejamento, pelos pensamentos abstratos e pela razão. A sede do “penso, logo existo” de Descartes. Ele nos auxilia a crescer como seres humanos, mudar aquilo que desejamos e viver a vida da maneira que decidimos.

Mesmo que os hábitos pareçam automáticos, estão sob controle continuo do neocórtex. Podemos criticar as pessoas aparentemente sem pensar, mas isso é uma ilusão, pois há um sistema de vigilância da parte pensante do cérebro constantemente operando. Em algum nível, nós decidimos o tempo todo. Estamos no controle de nossos hábitos e de nossas vidas.

Para termos maior domínio de nossas ações basta permanecermos atentos ao momento presente, que é o nosso ponto de poder. Se agora, neste instante, você parar, pensar e optar em aceitar em vez de criticar, em confiar em vez de temer, em amar em vez de odiar, seu cérebro vai responder a esses estímulos. Cada vez que fizer isso, o caminho é reforçado. Se optar em fazer boas escolhas nos sucessivos “agoras”, mais fortes serão suas conexões neurais para o amor, para a aceitação e para o perdão. Repetidas de forma consistente, as boas escolhas se tornam o caminho de menor resistência para a saúde física, mental e espiritual.

O cérebro, essa maravilhosa ferramenta que a alma utiliza para se expressar e ter experiências evolutivas, está a nosso favor. Pode ser modelado para criar uma nova vida. Basta sair do piloto automático.
 
Por Mabel Cristina Dias
 

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