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Qual o seu propósito de estar aqui hoje?

Aprendi com um mestre de Aikido que a palavra propósito contém, na etimologia, a palavra fogo. Que fogo representa ação. E, portanto, todo propósito contém em si a energia da ação.
 
Ele me ensinou a usar o bokken (ou bokuto), uma espada de madeira japonesa, como uma continuação do meu corpo e do meu impacto no mundo, concentrada na clareza da minha intenção. Todo movimento ou corte no ar em qualquer direção deveria estar conectado à minha intenção, ser impulsionado por ela.
 
Percebi o quanto é poderoso mover-se a cada instante preenchido de propósito. Não há nada que não mude conscientemente quando se vive tão presente assim. Cada oportunidade torna-se plena de escolha – e de responsabilidade. O poder de manipular a realidade fica concentrado nos limites das próprias mãos e do próprio livre-arbítrio, pois enquanto se ocupa tanto de si, não há motivo (nem tempo ou espaço) para querer mudar o outro.
 
É isso que se chama autorresponsabilidade. Quando, em vez de culpar o outro pela nossa dor, seja ela qual for, a gente aponta pra si e se pergunta: “Qual intenção minha ou parte de mim, mesmo que inconscientemente, criou essa situação?”. Mesmo a morte de alguém que amamos, que dói profundamente e parece ser completamente contrária às nossas escolhas, em algum nível também faz parte delas. Primeiro porque escolhemos, antes de nascer, aprender cada uma das lições que aprendemos, através dos nossos acordos espirituais. Depois, porque nossa intenção atribui valor às coisas e relações, então somos responsáveis por aquilo que sentimos diante do que acontece com elas. O sentimento é (dentre outras definições) uma consequência em relação à escolha de atribuirmos sentido a algo, que gera um propósito para a relação entre nós e este algo. Mesmo aquilo que está fora é co-criado, de diversas formas, com o poder que nos habita dentro. Não se responsabilizar por este poder é escolher que outros se responsabilizem por nós. E as consequências disso são diversas formas de viver uma vida que não se quer – ou uma vida sem conexão com seu próprio propósito.
 
Em outras palavras: todo propósito contém uma ação, mas nem toda ação contém um propósito. Toda ação vazia de propósito está vazia de fogo, portanto vazia de luz, de consciência, de sagrado, de auto-responsabilidade. O que não possui luz move-se na sombra da inconsciência, não sabe de onde vem nem pra onde vai. E isso é muito perigoso.
 
Um conjunto de ações sem propósito, ao longo do tempo, gera uma vida sem propósito. E há muitas pessoas que sobrevivem longos períodos assim, o que é uma das maiores desonras ao milagre da vida. “Sobreviver” talvez não seja “viver com pouco” materialmente falando, mas espiritualmente (já que fogo, além de propósito, também simboliza o espírito). “Sobreviver” talvez seja se esquecer do que se veio fazer aqui. E daí fica fácil culpar “o sistema”, por exemplo, por transformar pessoas em máquinas ou engrenagens. Mais difícil é perguntar a si “Por que abri mão de mim a ponto de me deixar levar por um caminho – ou a um lugar – que não é o meu? A quem quero agradar em vez de me comprometer comigo mesmo? Ao que estou servindo com a potência de vida que pulsa em mim?”
 
É preciso questionar muitos “porquês” sobre nosso próprio funcionamento (e menos sobre o funcionamento do mundo), para começar a sair do automatismo e abrir espaço (como nos momentos de “ócio criativo”) pro propósito se manifestar. E para o que vem junto com ele – espontaneidade, autenticidade, abundância de dar e receber tudo que a vida jorra através de cada um de nós. No começo pode ser confuso e difícil, mas depois torna-se divertido. E poderoso.
 
E não se apegue: já que a natureza do fogo é mutável, pode ser que seu propósito mude no próximo momento. Sem previsão ou prazo de validade: o propósito dura enquanto está a serviço de manter a chama viva. Quando se cumpre, ele se consome na chama do desejo realizado e abre espaço pra outro.
 
Hoje, celebro os propósitos cumpridos, meus e de todas as pessoas que fazem a Terra e a humanidade brilharem e sentirem-se vivas! E com a espada na mão no meu pensamento, intenciono cortar tudo que me cansa, e abrir espaço pro meu propósito de levar a vida mais leve e na brincadeira, nesses tempos de assuntos tão sérios.
 
E você, de frente pro fogo que arde e brilha no seu coração: quais propósitos cumpridos você celebra? E pra qual próximo movimento cheio de intenção você está se preparando? Qual é o seu propósito hoje, e qual será seu primeiro passo prático na direção dele?
 
(Te convido a acender uma vela pra ele, manter a chama acesa e deixar-se guiar por ela onde quer que você vá.)
 
Vanessa Moutinho
 
Fonte: Medium.com

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