Simplesmente Viva Plenamente

Por: Sarah Varcas
Estamos num momento de questionamentos, muitos de nós buscando respostas para as perguntas mais significativas de todas: “Por que estou aqui? Qual é o sentido da vida? Por que meus esforços passados não me trouxeram os resultados que eu esperava? Como conseguir o que eu desejo?” E, claro, a pergunta que as pessoas acabam proferindo, ao longo do tempo: “Por que eu?!”
Não é de se surpreender que essas perguntas sejam abundantes neste momento. Estamos vivendo uma época de desafios e oportunidades sem precedentes. Com a Cruz Cardinal se configurando enquanto falamos, e uma notável falta de planetas em signos de Terra para nos manter ancorados (Plutão em Capricórnio é tudo o que temos nesse sentido), podemos muito bem nos sentir debatendo numa sopa cósmica, à qual alguém aplicou um par de eletrodos, mas se esqueceu de aterrar a corrente!
Num momento tão cheio de perguntas não respondidas, pode ser útil questionarmos as próprias perguntas, de modo a irmos além da superfície e acessarmos a narrativa que se oculta no fundo de cada uma delas. Pois todas as perguntas nascem do pensamento, e nenhum pensamento, por mais profundo que seja, consegue nos conduzir à verdade que se encontra além de todo raciocínio e lógica. Com isto não quero dizer que não deveríamos pensar e divagar, mas sugerir que, ao fazê-lo, devemos estar cientes da existência de um plano além do pensamento, para o qual todas as nossas perguntas apontam.
Se, ao buscarmos um sentido para a nossa vida, quisermos uma resposta que seja sobre nós e não sobre a própria vida, já estaremos fazendo a pergunta de forma distorcida. Se estivermos buscando um sentido que acrescente algo à nossa identidade e nos faça sentir melhor a nosso próprio respeito, não é o sentido da vida que procuramos, mas o sentido de nós mesmos. Tudo bem, se for isto que quisermos saber. Mas responder a pergunta desse modo não nos esclarecerá o que a vida é, e sim o que NÓS pensamos da vida: que ela diz respeito à nossa satisfação pessoal.
No entanto, se contemplarmos o significado e propósito da vida em si mesma, entraremos numa ordem totalmente diferente de ser, a qual nos revelará uma vasta expansão de presença consciente, cujo valor não é definido em termos de experiência pessoal mas de ressonância energética.
Quando fazemos a pergunta a partir desse contexto, a questão do sentido torna-se cada vez mais clara: estamos aqui pra ancorar a energia da vida em todas as suas formas; estamos aqui para despertar a consciência interior, que foi levada a adormecer durante milênios de inconsciência coletiva cada vez maior. Em essência, estamos aqui para viver, para estar plenamente vivos no momento presente. Estamos aqui para ser simplesmente o que somos: energia fluindo através dos planos físico, mental, emocional e espiritual, sem bloqueios nem obstáculos.
A vida está extremamente difícil para muitas pessoas neste momento – seja fisicamente ou emocionalmente ou espiritualmente… ou em todos esses aspectos! A Cruz Cardinal oferece a oportunidade de novos começos, mas para que esses começos possibilitem vidas plenamente presentes, precisamos estar cada vez mais livres de bloqueios, obstáculos, supressões, repressões e “questões” que nos prendam.
Atualmente está ocorrendo uma grande purgação, que está deslocando esses bloqueios num ritmo exponencial, para permitir o fluxo livre da energia da vida. Pensem nisto como um enema cósmico! Não é nada agradável, é muito repulsivo e extremamente indigno. Entretanto, precisamos dele, porque esses bloqueios persistentes não sairão do lugar sem um incentivo muito poderoso. É por isto que ainda estão aí, tão fortes, tão rígidos, tão ridiculamente familiares e, ao mesmo tempo, tão incrivelmente frustrantes.
E é lógico que, quando a vida está difícil, nós recorremos às perguntas que mencionei anteriormente, mas as respostas que nos ocorrem podem não ajudar em nada, se ainda estivermos pensando em termos da vida atender às nossas necessidades e satisfazer nossos desejos pessoais.
Entretanto, se conseguirmos mergulhar no silêncio por trás dessa questão, poderemos começar a perceber que a própria vida se cumpre através de nós, por nosso intermédio, a cada momento, independentemente do que estivermos fazendo, pensando ou sentindo. Nós somos a realização da vida exatamente do jeito que somos ou estamos: vivendo, respirando, pensando ou sentindo.
O propósito da nossa existência é simplesmente viver e estar consciente de que estamos vivos, conscientes da força vital que percorre nossas veias, e ancorá-la cada vez mais profundamente à medida que removemos nossos bloqueios internos e nos colocamos no momento presente.
Em última análise, não existe nenhum outro propósito de estar vivo além de simplesmente viver plenamente. Quanto mais conseguirmos assimilar este fato, mais profundamente poderemos viver assim, e enquanto a vida se desenrola dentro de nós e à nossa volta, saberemos quando agir e quando esperar, quando falar e quando permanecer em silêncio, quando ficar e quando partir.
Esta nova consciência não diz respeito a nós nem é para nós. Ela apenas é, e nós fazemos parte dela. Quanto menos a personalizarmos, transformando-a em algo que deveria nos fornecer os bens que desejamos e nos manter felizes, mais capazes seremos de vivê-la plenamente, aconteça o que acontecer. Assim se encontra a paz.
Nos próximos dias, quando recebermos a energia da Cruz Cardinal correndo em nossas veias, teremos a chance de escolher como usá-la, quais as perguntas que desejamos que ela responda e quais os pensamentos, sentimentos e emoções que desejamos que ela alimente.
Se contarmos com ela para satisfazer nossos desejos pessoais, por mais espirituais que eles possam parecer, é possível que fiquemos desapontados. Se a invocarmos para nos despertar e libertar, para nos mostrar a vida como ela é em toda a sua totalidade, poderemos vivenciar a ressonância mais profunda que jamais experimentamos, o próprio batimento cardíaco do universo finalmente nos acolhendo em nosso lar.
Sarah Varcas
Tradução de Vera Corrêa veracorrea46@ig.com.br
© Sarah Varcas. Todos os direitos reservados. É dada permissão para compartilhar livremente este artigo em sua totalidade, desde que seja dado todo crédito ao autor. E que seja citado o site onde este texto é oferecido gratuitamente:

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